O significado da palavra “Ontake” é bambu aquecido. Um conceito simples e direto, mas que consegue transmitir toda a sensação positiva de quem recebe um tratamento. Porém, antes de se chamar “Ontake”, o bambu aquecido teve outras identidades. Para contar essa história, é importante entender que existe a trajetória com as referências da literatura chinesa e da literatura japonesa.
Através da literatura chinesa, sabe-se que é uma prática de longa data e que era muito utilizada para tratar padrões de frio e deficiência:
“Há a moxabustão com instrumento, usando recipiente de cobre ou de bambu para conter a moxa acesa, colocando-o sobre o ponto, para tratar padrões de frio e deficiência” (Zhen Jiu Da Cheng, 1601).
Através da literatura japonesa, as referências são mais novas e a prática da moxabustão aquecida dentro do bambu é considerada recente. Em seu livro “Take Zutsu Onkyu”, o sensei Hideo Shinma (filho de Isaburo Fukaya) descreve que, no Japão, o primeiro okyuyasan — pessoa que aplica moxabustão — a utilizar essa ferramenta foi Zuiho Ito, aluno de Sorei Yanagiya.Outro registro reforça sua eficácia terapêutica:
“(…) ela funciona para alívio de dor e inflamação. A moxabustão feita com anel de bambu também pode funcionar para o alívio de dores vindas de reumatismo articular, ombro congelado e entorses” (Shinkyuchiryogaku, Makoto Yamashita, 1992).
Para falar sobre Ontake, é necessário falar sobre Oran Kivity — acupunturista e professor, Kivity atualmente é o principal responsável por difundir essa prática na contemporaneidade. A primeira vez que Kivity conheceu o instrumento de bambu foi em Tóquio, na loja Sankei, de Hiroshi Enomoto, que comercializava o instrumento como “bambu curto”. Kivity ficou intrigado e encantado e, com a ajuda de Enomoto, obteve as referências de literatura que foram citadas acima – Shinma e Yamashita. Ele chegou a buscar no Japão alguém que se dedicasse à prática do objeto, mas relata que não encontrou ninguém especializado. Ao retornar ao seu consultório, passou a utilizar o bambu curto em todos os seus atendimentos e se deu conta da enorme receptividade e conforto que as pessoas sentiam com a aplicação. Com a ajuda de uma pessoa que conhecia o idioma japonês, definiu a nomenclatura Ontake.
Kivity passou a aplicar o Ontake utilizando seus conhecimentos em acupuntura de Manaka, Richard Tan e, posteriormente, Zonas de Hirata. Esses três pilares de pensamento foram a base de desenvolvimento do seu próprio método Ontake. Hoje, o uso do Ontake se expande e mais terapeutas estão incorporando seu uso em suas práticas clínicas. No Brasil, o próprio Kivity realiza visitas ocasionais para ministrar cursos; localmente, o terapeuta Eric Fagundes também é credenciado e autorizado a ensinar o método Ontake de Oran.
Referências:
Kivity, O. Moxa in Motion, Ed Sayoshi Books, 2019